
A Lufthansa confirmou interesse em participar no processo de privatização da TAP Air Portugal, admitindo sinergias industriais e a possibilidade de novos investimentos em Portugal, incluindo a eventual criação de uma escola de formação de pilotos.
O presidente executivo do grupo alemão, Carsten Spohr, descreveu a TAP como um “‘match’ perfeito”, destacando o potencial do mercado brasileiro e da América Latina na estratégia de expansão da companhia.
“Queremos manter este processo porque a TAP seria uma combinação perfeita para nós”, sublinhando que a companhia portuguesa poderia reforçar a presença do grupo nestes mercados.
O responsável salientou ainda a importância estratégica de Portugal no setor da aviação, referindo os investimentos já em curso no país.
A Lufthansa Technik está a construir uma unidade industrial no parque empresarial Lusopark, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, dedicada à reparação e manutenção de componentes de aeronaves, num investimento avaliado em centenas de milhões de euros e que deverá criar mais de 700 empregos qualificados até 2027.
“Portugal pode tornar-se um parceiro estratégico muito relevante, até porque estamos atualmente a construir uma unidade da Lufthansa Technik em Portugal”, disse Carsten Spohr.
A Lufthansa está também a avaliar a possibilidade de criar em Portugal uma escola de formação de pilotos, em articulação com a Força Aérea.
“Estamos também a avaliar se a escola de aviação, que estamos a discutir em conjunto com a Força Aérea, poderá ficar localizada em Portugal”, referiu.
O grupo alemão sublinhou ainda a intenção de reforçar a posição de Lisboa como ‘hub’ aéreo, face à concorrência europeia e do Atlântico Sul. “Basta olhar para o mapa da Europa e ver onde a Lufthansa tem os seus ‘hubs’ para perceber qual seria a posição única de Portugal”, comentou.
O responsável destacou que os concorrentes à privatização, a Air France-KLM e IAG, dona da Iberia e da British Airways, já têm forte presença em mercados próximos de Portugal.
De recordar que o caderno de encargos prevê a alienação de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.
O Grupo Lufthansa registou um lucro de 1,3 mil milhões de euros em 2025, menos 3% do que no ano anterior, apesar de receitas recorde de 39,6 mil milhões.
























