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Grupo TAP com menos 1.600 trabalhadores até ao fim do ano


 

O Ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, anunciou hoje, no parlamento, que irão sair 1.600 trabalhadores do grupo TAP até ao final do ano, tendo já saído 1.200 colaboradores.

O governante, em audição na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, desmentiu dados apresentados pelo Bloco de Esquerda, que apontou a saída de 1.500 tripulantes da TAP, referindo que isso seria 80% da força laboral e garantindo que os 1.600 trabalhadores que irão sair são de todo o grupo e não apenas da companhia aérea.

“Não podemos manter artificialmente uma dimensão que não tem adesão ao mercado em que estamos hoje a operar”, explicou, salientando que isso “implica que no processo de reestruturação seja feito o redimensionamento” da companhia.

“Não podemos manter emprego que depois não tem trabalho”, rematou.

Pedro Nuno Santos realçou que a TAP vai fazendo o seu trabalho “num quadro de maior dificuldade do que uma empresa ‘low cost’, tendo em conta que as ligações atlânticas estão paradas e realçando que empresas como a Ryanair estão a “queimar dinheiro”, porque partiam de um ponto de liquidez “incomparável”.

Criticado pelo Bloco de Esquerda sobre a escolha do Boston Consulting Group (BGC) para elaborar o plano de reestruturação da TAP, o ministro pediu ao partido que “indique uma empresa consultora aceitável de acordo com os seus parâmetros”.

O ministro não detalhou as medidas previstas no plano de reestruturação, recordando apenas que o prazo para o apresentar acaba em 10 de dezembro.

No seu perfil de facebook o ministro escreveu:Na audição de hoje no Parlamento sobre a TAP e os apoios ao setor da aviação, voltei a reafirmar a decisão do Governo de intervencionar a companhia aérea, com o objetivo último de garantir a sua sustentabilidade.

Este é um processo difícil, o mais difícil que tenho do ponto de vista das Infraestruturas. Sabíamos desde início que qualquer decisão teria sempre leitura políticas muito negativos. Tivemos de tomar uma decisão. Achamos que tomámos a decisão correta.

No momento em que portugueses questionam como se pode aprovar 1200 milhões de euros de auxílio para a TAP, deixo dois aspetos críticos para percebermos o que está em causa para a economia nacional.

1. A TAP faturou 3,3 mil milhões de euros em 2019 – 80% disto com clientes estrangeiros. Um dos problemas crónicos da nossa economia é um défice crónico na balança externa. A TAP é uma das principais exportadoras nacionais. 80% da faturação são exportações.

Vamos fazer de conta que o Governo deixava cair a empresa e que ela até era substituída por outra, como muitos têm dito. Aí, estes 2,6mil milhões de euros vendidos a estrangeiros deixavam de ser exportações. E os 20% de clientes portugueses passariam a ser importações.

2. A TAP compra 1,3 mil milhões de euros a mais de mil empresas portuguesas e não estamos a falar de combustíveis. Mais de 1000 empresas nacionais que perderiam um dos seus principais clientes.
Não podemos olhar para a TAP e ver apenas os 1,2 mil milhões. Mas temos de perceber o impacto que teria a outra alternativa.

A opção era entre deixar cair a TAP ou acontecer o que aconteceu. A única forma de a empresa não passar a pública era um privado aceitar meter dinheiro na TAP. E para isso não havia nenhum.

Relativamente ao plano de restruturação, é um trabalho complexo.No total do grupo já saíram 1200 trabalhadores e prevê-se que até final do ano se atinja 1600. Não podemos usar o auxilio dado à TAP para manter artificialmente uma dimensão que não tem adesão ao mercado que estamos a operar.

Não há nenhuma parte com interesse na TAP que não vá ser chamada a fazer parte do esforço. Não serão só os trabalhadores.

A TAP tem a Portugália/TAP Express que tem aviões mais pequenos, mais baratos, que podem ser utilizados para a operação ponto a ponto. A ideia é ver se podemos apostar na Portugália/TAP Express para ser um dos instrumentos que permita à TAP aproveitar melhor os aeroportos de Porto e Faro.”