
A Comissão de Inquérito continua a tentar apurar as responsabilidades à escolha do Airbus A330 para a Azores Airlines.
Certo que na altura os estudos indicavam como opção o Airbus A330, o Boeing 767 ou o Boeing 787.
Certamente, fosse qual fosse o modelo neste momento estaria a ser debatido o mesmo assunto. No caso dos B767, atualmente, já seria uma aeronave pouco eficiente, dado que a maioria das empresas estão ou já realizaram o seu o phase-out.
No caso do Boeing B787 tratar-se-ia do valor alto do leasing e capacidade da aeronave.
Para além dos valores envolvidos no leasing das aeronaves não se pode esquecer o tipo de operação da companhia, que no seu caso é muito sazonal, os custos de operar a aeronave, a tripulações e as taxas de aterragem e descolagem nos aeroportos devido ao peso da aeronave.
No passado dia 6 de novembro, foi a vez de ser ouvido o antigo presidente do Conselho de Administração da SATA, Luís Parreirão, que justificou a opção da companhia pelo leasing de dois aviões Airbus A330, em 2015, como sendo, à data, os aparelhos mais fiáveis para viagens de longo curso.
“O caminho que se optou foi pela redução da frota da SATA e pelo aumento da fiabilidade. E foi assim que se chegou à opção pela aquisição de três A320, para a operação entre os Açores e o continente, e dois A330, para a operação com o continente americano”, explicou o ex-administrador, na comissão parlamentar.
Segundo explicou, os aviões A310 que na altura operavam ao serviço da Azores Airlines, e que asseguravam as viagens para as comunidades açorianas nos Estados Unidos e Canadá, apresentavam várias “irregularidades”, obrigando a uma “manutenção exaustiva” por se revelarem “pouco fiáveis”.
“A manutenção desses aviões representaria um custo de 40 milhões de euros para os três anos seguintes”, recordou Luís Parreirão, referindo-se aos estudos encomendados na altura, que apontavam para a aquisição de “um avião mais pequeno”, mas que “não estava disponível no mercado”, naquele tempo.
Na altura, era secretário regional dos Transportes Vítor Fraga, também ouvido na comissão de inquérito da Assembleia Legislativa dos Açores, que garantiu que a opção pela aquisição do avião A330, que acabou por gerar cerca de 40 milhões de euros de prejuízos, não foi responsabilidade sua, apenas da administração da companhia aérea.
“A decisão da renovação da frota e a opção pelas aeronaves não foi uma opção do Governo, foi uma opção do Conselho de Administração da SATA”, disse o ex-governante, adiantando que a tutela questionou apenas “se havia suporte técnico [estudos] para a mesma e foi respondido que sim”.
“A decisão da renovação da frota e a opção pelas aeronaves não foi uma opção do Governo, foi uma opção do Conselho de Administração da SATA”, lembrou o antigo governante na comissão parlamentar de inquérito à SATA, reunida na ilha Terceira.
Segundo o antigo governante, a tutela questionou apenas a empresa “se havia suporte técnico [estudos] para a mesma e foi respondido que ‘sim'”.
O ex-secretário regional garante que havia um estudo que apontava para a escolha do A330, mas os partidos que agora estão no Governo (PSD, CDS-PP e PPM) lembram que existiam também outros dois estudos, que apontavam em sentido contrário.
“Na SATA, tal como em qualquer outra empresa, os estudos existem para ajudar na tomada de decisão dos órgãos de gestão. Não significa que os órgãos de gestão tenham de seguir, rigorosamente, aquilo que é dito por um consultor ou por outro”, advertiu o antigo titular da pasta dos Transportes na região.
A opinião de Vítor Fraga diverge, no entanto, do entendimento de dois ex-administradores da companhia aérea regional, António Luís Teixeira e Paulo Meneses, que disseram naquela comissão, em outubro, que a aquisição do A330 tinha sido “mal pensada” e que “não” tinha sido a melhor opção.
O antigo governante socialista, que garante continuar atento à evolução do mercado da aviação civil, entende que o problema da SATA resulta da concorrência que existe com outras companhias aéreas, mas, sobretudo, da “reduzida dimensão” do mercado onde está inserida.
“O problema da SATA é um problema de dimensão, da empresa e do mercado. O mercado natural dos Açores, por si só, não é suficiente para garantir a sustentabilidade de uma companhia aérea, portanto, é necessário adicionar tráfego e ganhar escala”, insistiu o antigo secretário regional dos Transportes.
Confrontado pelos deputados com estas afirmações, Luís Parreirão disse apenas que a opção pela aquisição de novas aeronaves para a companhia aérea açoriana “foi feita em concertação com o acionista”, ou seja, com o Governo Regional, contrariando as declarações de Vítor Fraga.
O antigo administrador da SATA manifestou também muitas dúvidas sobre os valores divulgados pela companhia, a propósito dos prejuízos gerados com a operação do A330, que esteve mais de dois anos parado devido aos elevados custos de operação.


























