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Airbus A321 da Lufthansa com pintura retro


Para celebrar o centenário da sua fundação, a Lufthansa recua no tempo. A companhia alemã colocou em serviço um Airbus A321-200 decorado com a pintura «parábola» dos anos 1950, inspirada na lendária Lockheed Super Star e símbolo de modernidade na era de ouro das rotas transatlânticas.

A aeronave junta-se, ao lado de uma frota de aniversário com pintura «grou XXL», a um dispositivo comemorativo que deverá culminar na primavera com a abertura de um novo centro de visitantes em Frankfurt.

Um Airbus A321-200 com a matrícula D-AISZ aterrou ontem, terça-feira, no aeroporto de Frankfurt por volta das 14h45, proveniente de Norwich, no Reino Unido, no voo especial LH9898. A aeronave, dedicada a rotas de curta e média distância, foi totalmente repintada no norte de Inglaterra num esquema de cores inspirado na Lockheed L‑1649A Super Star, antiga joia da Lufthansa no final dos anos 1950.

Segundo o grupo, «o Airbus A321 apresenta agora a histórica pintura parábola da Lufthansa», um design que surgiu em meados dos anos 1950 e diretamente inspirado nas curvas aerodinâmicas popularizadas desde os anos 1930. A famosa linha em forma de parábola, que prolonga visualmente o impulso da aeronave, estendia-se então não só às derivações dos aviões, mas também às etiquetas de bagagem, papelaria comercial, horários de voo e até aos anéis de charutos.

A pintura parábola, manifesto de uma Lufthansa moderna

Introduzido após a Segunda Guerra Mundial, o design parábola tinha como objetivo transmitir «dinamismo, velocidade e espírito voltado para o futuro», num contexto em que a companhia se reposicionava como vitrine da aviação alemã. Esta linguagem gráfica, fortemente marcada pelo movimento «streamlining» que também influenciava o design ferroviário e automóvel dos anos 1930, acompanhava a ascensão da Lufthansa nas grandes rotas internacionais.

A estética da parábola não se limitava às aeronaves: estruturava a identidade visual da marca, desde materiais de marketing à sinalética, e ajudava a posicionar a Lufthansa numa modernidade tecnológica assumida, numa época em que os voos de longo curso se democratizavam, primeiro em turboélices e depois em jatos. Ao recordar hoje esta assinatura gráfica num A321 de última geração, a companhia cria um contraste entre a aviação de outrora, com motores a pistão, e a atual, otimizada para eficiência operacional na rede europeia.

A Super Star, a primeira «Senator Class» para Nova Iorque

A pintura do A321 remete diretamente para a Lockheed L‑1649A Super Star, que entrou na frota da Lufthansa em 1957. Na altura, esta aeronave quadrimotora a pistão destacava-se pela introdução da «Senator Class», descrita como «a forma mais exclusiva de viajar» em longas distâncias.

A Super Star era então principalmente utilizada na ligação direta para Nova Iorque, permitindo à Lufthansa operar no coração do tráfego transatlântico num contexto de crescente concorrência com companhias americanas e europeias. Estes voos, com duração de até 17 horas a partir de Hamburgo, marcaram o fim da era dos grandes aviões com hélices no Atlântico Norte, antes da chegada de jatos como o Boeing 707 e o Douglas DC‑8, que reduziram drasticamente os tempos de viagem.

O grupo lembra que «a Super Star será em breve exposta ao lado de um Junkers Ju 52 no novo Hangar One do Lufthansa Group», um centro de conferências e visitas situado no aeroporto de Frankfurt, cuja abertura está prevista para abril. Este espaço deverá tornar-se um dos pontos altos das celebrações do centenário, mostrando duas ícones da história da Lufthansa: o trimotor Ju 52, símbolo do início do transporte aéreo regular, e a Super Star, encarnação da era de ouro das rotas transatlânticas.

Um Hangar One dedicado ao património aeronáutico

O Hangar One, localizado na plataforma de Frankfurt, apresenta-se como um novo centro de conferências e visitas do grupo Lufthansa, combinando espaços para eventos com uma exposição permanente de aeronaves históricas. Para além da Super Star restaurada e do Ju 52, a companhia planeia apresentar elementos de cabine, maquetas, bem como arquivos que retratam a evolução das suas cabines, uniformes e identidade visual ao longo de um século.

Este projeto insere-se numa tendência mais ampla em que os grandes grupos aéreos consolidam o seu património, à semelhança da Air France com as suas coleções preservadas no Museu do Ar e do Espaço do Bourget, ou da British Airways com a sua frota histórica exibida no Reino Unido. Para a Lufthansa, que reivindica «uma história ininterrupta de 1926 a 2026», apesar das rupturas políticas do século XX, a encenação desta narrativa industrial e tecnológica contribui também para o seu posicionamento como marca premium face à concorrência europeia e do Golfo.

Uma frota de aniversário com pintura «grou XXL»

Em paralelo com esta homenagem gráfica à Super Star, a Lufthansa continua o lançamento de uma frota de aniversário dedicada ao seu centenário, reconhecível por uma pintura especial azul adornada com um grande grou branco. Um Airbus A350‑900 com matrícula D‑AIXL, recentemente pintado em Châteauroux, juntou-se à base de Munique, tornando-se a terceira aeronave a exibir este esquema «100 anos», após um Boeing 787‑9 e um Airbus A320neo, ambos baseados em Frankfurt.

Até ao outono de 2026, pelo menos um Airbus A380, um Boeing 747‑8 e o primeiro Airbus A350‑1000 entregue à Lufthansa deverão integrar esta frota comemorativa, de forma a que cada uma das principais sub-frotas de longo curso da companhia seja representada por uma aeronave com a pintura centenária.

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