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Novas regras para descanso das tripulações obriga IndiGo a cancelar centenas de voos


A companhia aérea IndiGo está a enfrentar nos últimos dias uma das maiores crises operacionais da sua história, com o cancelamento de centenas de voos por dia, deixando milhares de passageiros retidos em aeroportos por todo o país. A situação levou a perturbações graves no tráfego aéreo, especialmente em cidades como Deli, Mumbai, Bengaluru, Hyderabad e Chennai.

De acordo com o regulador indiano, a DGCA – Direção Geral de Aviação Civil da Índia, mais de 750 voos foram cancelados num único dia, com o aeroporto internacional Indira Gandhi, em Deli, praticamente paralisado. As longas filas, as informações contraditórias e a falta de alternativas rápidas levaram ao descontentamento generalizado dos passageiros, muitos dos quais relataram cancelamentos de última hora sem aviso adequado.

A IndiGo atribui os cancelamentos a uma inesperada escassez de tripulação, sobretudo de pilotos, agravada pela recente entrada em vigor de novas regras de descanso e tempos de serviço — as chamadas Flight Duty Time Limitations (FDTL). As normas, mais restritivas, exigem períodos de descanso mais longos e limitam operações noturnas, obrigando a companhia a recorrer a mais pilotos do que tinha previsto.

Esta mudança regulatória tem vindo a ser planeada há anos. Em janeiro de 2024, a DGCA anunciou uma revisão das regras para os Limites de Tempo de Serviço de Voo (FDTL) com o objetivo de combater a fadiga dos pilotos:

O período de descanso semanal aumentou de 36 horas para 48 horas.

A definição de período noturno foi ampliada de 00:00-05:00 para 00:00-06:00.

Aterragens noturnos limitados a dois por semana, em vez de seis.

Limites mais rigorosos para horas de voo acumuladas

Estas regras alinham a Índia aos padrões internacionais. As companhias aéreas pressionaram por adiamentos, e a DGCA concordou com uma implementação gradual. A primeira fase começou a julho deste ano, e a segunda, no dia 1 de novembro.

Fontes do setor afirmam que a transportadora não ajustou atempadamente as escalas nem reforçou o número de tripulantes, criando um desequilíbrio que acabou por afetar toda a sua operação.

De referir que a crescente procura por viagens no período festivo também contribuiu para o colapso operacional.

Esta situação já levou a DGCA a abrir uma investigação formal, exigindo à IndiGo um plano urgente para normalizar a operação e garantir que episódios semelhantes não se repitam. O governo indiano também pressionou a companhia a acelerar as reprogramações e a oferecer assistência adequada aos passageiros afetados.

A IndiGo afirmou que está a implementar “ajustes calibrados” nas escalas de serviço e prevê que a operação esteja totalmente estabilizada no início de 2026.

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