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Tripulantes de cabine da TAAG denunciam “dispensa” de nacionais a favor de estrangeiros


 

O sindicato do pessoal de cabine da transportadora angolana TAAG denunciou hoje que a administração da companhia estatal “está a prescindir dos trabalhadores angolanos” a favor de aviões estrangeiros, alugados com as tripulações, convocando uma manifestação para domingo.

“A nossa reivindicação prende-se, essencialmente, com este facto: estarem a prescindir de mão-de-obra nacional a favor de aviões estrangeiros e alugados com as tripulações, o que é inadmissível, porque a TAGG tem tripulantes competentes e estamos a ser colocados de parte”, disse hoje a secretária-executiva do sindicato, Ondina Costa, à Lusa.

Uma manifestação pública, promovida pelo Sindicato Provincial do Pessoal Navegante de Cabine (Sinpropnc) da TAAG, está prevista para domingo, frente ao Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro para denunciar “constantes violações” dos acordos assinados entre o sindicato e a administração da TAAG.

“Várias vezes remetemos as nossas reivindicações em relação às violações dos nossos direitos, plasmados no acordo coletivo de trabalho, como melhores condições laborais, subsídios e outros, que infelizmente não têm sido resolvidas”, lamentou Ondina Costa.

Segundo a responsável sindical, o que “agravou a inquietação” dos tripulantes da companhia estatal angolana e que os vai levar à rua, de forma “pacífica e silenciosa”, foram os “dois últimos comunicados enviados” pela administração da TAAG.

“Onde se denota que as atuais frequências de voos da TAAG serão feitas por outras companhias, aviões alugados, incluindo as tripulações de cabine e de ‘cockpit’”, frisou.

“Por que motivo esses aviões foram sido alugados com tripulação de cabine, quando nós, tripulação de cabine de TAAG, poderíamos fazer uma adaptação aos aviões alugados e não eles virem com tripulações ‘full’?”, questionou.

Para a secretária-executiva do Sinpropnc, a presença de aviões estrangeiros alugados pela empresa com os respetivos tripulantes é sintomática de que os tripulantes de cabine da TAAG “deixarão de fazer os voos internacionais” durante um ano.

De referir que recentemente a TAAG celebrou um acordo ACMI com a HiFly por forma a reforçar a sua operação no sentido de assegurar continuamente um elevado nível de serviço e disponibilidade de ligações.

Assim sendo, o acordo ACMI (Aircraft, Crew, Maintenance and Insurance) com a HiFly incluiu o leasing de um Airbus A330 que tem operado a rota Luanda-Lisboa-Luanda.

O contrato teve inicio no dia 15 de junho de 2022, tendo já sido prolongado, e que cabe à HiFly disponibilizar o avião, a tripulação completa, garantir a manutenção e seguro da
aeronave, sendo compensada pela TAAG pelas horas de operação da aeronave.

Esta decisão coincide justamente com o trabalho de manutenção que está a decorrer e que a TAAG está a realizar em parte da sua frota internacional, respectivamente o modelo Boeing 777-300ER.

A companhia indica que em termos globais, foi uma estratégia de gestão que permite a continuidade e regularidade da operação numa ligação Luanda-lisboa que regista
bastante demanda.

À data a TAAG indicava que esta solução colaborativa é típica na aviação comercial e permite a TAAG assegurar a cobertura de uma das rotas preferenciais e de maior volume de tráfego.