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Sindicato diz que já se perderam 3.000 postos de trabalho na TAP


 

O SITAVA – Sindicato dos Trabalhadores e Aviação emitiu mais um comunicado sobre a situação no Grupo TAP:

Como certamente todos se vão apercebendo, o novel Conselho de Administração e a sua Comissão Executiva, esta composta também por novíssimos membros, têm-nos surpreendido,
com a divulgação quase diária, de notícias na comunicação social, qual delas a mais surpreendente. Poderá perguntar-se, então, o que pretende a empresa com esta chuva de
intervenções na comunicação social, todas elas no mesmo sentido, ameaçando os trabalhadores em vésperas de ser conhecido o tal projeto de reestruturação que, dizem, tem que ser
apresentado em Bruxelas. Será só isso que pretendem? Ameaçar?

Porque a responsabilidade que assumimos com os trabalhadores nos obriga a dizer sempre a verdade, e só a verdade, vamos então por partes: Começamos por reafirmar aquilo que há meses
dizemos sobre a realidade do setor da aviação em geral e da TAP em particular.

A gravíssima crise sanitária que vivemos é a única responsável pela preocupante situação que as empresas do Grupo TAP atravessam não podendo, portanto, ser imputada aos trabalhadores
qualquer responsabilidade. Não obstante esta constatação é, como se sabe, extremamente penosa a realidade que vivemos diariamente.

A primeira e a mais grave realidade é a pesadíssima perda salarial que caiu e está a cair sobre todos os trabalhadores da TAP – e de todo o Grupo – com a implementação do Lay-Off que se
mantém, e que está a provocar um corte salarial mensal líquido da ordem dos 20% desde o passado mês de abril. Constatando esta realidade, são até insultuosas as ameaças plantadas na
comunicação social de que vai haver cortes salariais. Estes já estão a ser aplicados e desde abril como dizemos atrás. Exige-se sim, é que sejam repostos os rendimentos dos trabalhadores.

Uma segunda ameaça profusamente difundida é a que vai haver diminuição da frota, coisa que só é novidade para os distraídos, ou para aqueles que não acompanham a realidade do transporteaéreo. Todos sabemos que as companhias não crescem permanentemente e até ao infinito. A renovação da frota que a TAP realizou nos anos de 2018 e 2019 tinha como pressuposto a saída de operação, durante o ano de 2021, das aeronaves mais antigas.

Com esta realidade presente, só por má fé se poderá plantar agora na comunicação social, que a reestruturação da TAP obriga à redução da frota. É falso. A frota da TAP – TAP mais Portugália – será diminuída das unidades mais antigas o que vai, obviamente, diminuir o número de aviões nas duas frotas. Claro que vai, tal como já estava previsto.

Apesar de tudo isto, é bom recordar aos que agora nos ameaçam, que o negócio da TAP baseado no Hub de Lisboa, deixaria de ser viável – inviabilizando também a própria companhia – se alguém a propósito da tal reestruturação tentasse agora mutilá-la retirando mais aviões do que os que estavam programados.

Para compor a trilogia, esgrimem também os que nos ameaçam com a redução da força de trabalho. Dizem eles em tom ameaçador que vai haver despedimentos. Mais uma vez, só temos
que dizer a estes senhores, que se isto não for má fé, então continuam distraídos.

É do conhecimento de todos nós, que desde o início da crise pandémica, a TAP e as restantes empresas do Grupo decidiram, infelizmente para milhares de trabalhadores, pela não renovação dos contratos a termo, e pelo cancelamento dos contratos com as empresas de trabalho temporário. Talvez estes que nos ameaçam não tenham interesse em fazer contas porque se quisessem fazê-las saberiam que só nas quatro empresas do Grupo (incluindo a SPDH) já se perderam cerca de 3.000 postos de trabalho.

Mas isso não tem para eles qualquer interesse divulgar. Com esta atitude optaram antes por cortes cegos, contra os quais nos temos insurgido por variadíssimas vezes, e que estão a provocar
graves prejuízos em alguns setores, o que já levou a empresa a ter que contratar à LGSP, (grupo Lufthansa), serviço de apoio a passageiros.

Resta agora e por acréscimo o outro pilar, o social, aquele que diferencia o trabalho sujeito à exploração desenfreada, do trabalho com direitos. Efetivamente aparecem cada vez com mais
frequência por tudo o que é televisão, anunciando despedimentos e outros cortes a propósito de tudo e de nada. São habitualmente os arautos das “liberdades”, da “livre iniciativa” e da “livre
opção de escolha” as mais das vezes entre um corte salarial e um despedimento. Todos os conhecemos muito bem.

A todos estes e a mais alguns, temos que continuar a lembrar que os trabalhadores da TAP conquistaram o seu primeiro contrato coletivo de trabalho há precisamente cinquenta anos. Foi,
como reza a história, um enorme avanço civilizacional que não mais deixou de evoluir. Como sabemos, o mundo não anda para trás. É bom que todos tenham presente que o retrocesso
histórico paga-se muito caro e, como é obvio, os trabalhadores da TAP jamais o permitirão.

Por muitas dificuldades que o mundo agora atravesse elas são, como bem sabemos, temporárias e não poderão nunca ser o pretexto para regressar ao passado. Que ninguém se iluda e tente
acabar agora com conquistas sociais de há cinquenta anos. Que ninguém tente sequer beliscar a contratação coletiva. A contratação coletiva tem força de lei. Isso jamais o permitiremos.