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GPIAAF publicou Nota Informativa sobre o acidente com aeronave em Portimão


 

Um avião Cessna 150F ficou destruído e o piloto morreu na sequência de um acidente ocorrido no dia 8 de agosto, no Aeródromo de Portimão, durante uma operação de reboque de uma faixa publicitária ao longo da costa algarvia.

De acordo com a nota informativa divulgada esta segunda-feira, 10 de agosto, pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAAF), o acidente ocorreu pelas 08h46 UTC, quando a aeronave, com a matrícula CS-DIP, realizava uma manobra de recolha da faixa publicitária.

O avião, um Cessna 150F, era operado pela empresa Aeroplano – Planeamento, Exploração e Manutenção de Aeronaves, Lda. O voo tinha origem e destino no Aeródromo de Portimão e estava classificado como trabalho aéreo de reboque de manga publicitária. A bordo encontrava-se apenas o piloto.

Segundo o GPIAAF, os preparativos para a operação começaram durante a manhã. A aeronave foi abastecida com 84 litros de Avgas e o motor foi colocado em funcionamento às 08h17. Cerca de dez minutos depois, o motor foi desligado para permitir a realização de operações de paraquedismo que decorriam em simultâneo no aeródromo.

Às 08h38, o motor voltou a ser ligado e a aeronave dirigiu-se para a pista 29, de onde descolou às 08h44.

Dois minutos depois, pelas 08h46, o Cessna realizou a recolha da faixa publicitária. Após uma manobra de nariz em cima, a faixa foi engatada com sucesso no gancho de reboque.

Pouco depois, quando se encontrava a muito baixa velocidade e altitude, a aeronave sofreu primeiro uma queda da asa direita, seguida de uma queda abrupta da asa esquerda e de uma atitude pronunciada de nariz em baixo. O avião perdeu rapidamente altitude e acabou por embater no solo.

As evidências disponíveis indicam que o piloto conseguiu libertar a faixa publicitária antes do impacto.

O Cessna 150F ficou destruído e o piloto sofreu ferimentos fatais. Não foram registados passageiros ou outras vítimas.

Piloto estava devidamente certificado:

Entre as primeiras constatações da investigação, o GPIAAF indica que o piloto estava devidamente autorizado, certificado e habilitado para realizar o voo.

Todos os principais componentes da aeronave foram encontrados nas proximidades do local do acidente.

Contudo, os investigadores identificaram um elemento que será alvo de especial atenção: as evidências recolhidas apontam para que os equipamentos e materiais utilizados na operação de reboque da faixa publicitária não estivessem de acordo com as especificações dos respetivos fabricantes.

O GPIAAF sublinha, no entanto, que, nesta fase da investigação, não é possível afirmar que esta situação tenha estado relacionada com o acidente.

As condições meteorológicas eram consideradas favoráveis à realização do voo. No momento da ocorrência, o céu encontrava-se limpo, o vento soprava de 280 graus a cerca de 6 nós e a temperatura do ar era de 29 ºC.

Investigação vai analisar aeronave, operação e equipamentos:

O GPIAAF foi notificado do acidente pelas autoridades de Proteção Civil às 09h11 e enviou uma equipa de investigação de aviação civil para o local, onde foram realizadas entrevistas a testemunhas e recolhida informação.

A investigação de segurança vai analisar, entre outros aspetos, a condição de aeronavegabilidade do avião e os seus componentes críticos, nomeadamente o motor.

Serão também avaliados o enquadramento regulamentar e os procedimentos utilizados na operação de reboque de mangas publicitárias, incluindo os equipamentos e materiais utilizados.

Os investigadores irão ainda analisar a formação e experiência do piloto nesta atividade, bem como o acompanhamento e apoio prestados pelo operador no Aeródromo de Portimão.

Outro dos pontos em análise será a supervisão exercida pelas autoridades de certificação sobre o operador e as organizações responsáveis pela manutenção, incluindo as respetivas práticas e cultura de segurança.

A dinâmica do impacto e as condições de sobrevivência também fazem parte da investigação.

O GPIAAF recorda que a investigação de segurança tem como objetivo identificar os fatores causais e contributivos do acidente, de forma a melhorar a segurança da aviação e, se necessário, emitir recomendações de segurança. Não se destina a determinar culpas ou responsabilidades.

O relatório final será publicado após a conclusão da investigação e do procedimento de audiência prévia às partes relevantes. Caso não seja possível concluir o processo no prazo de 12 meses após o acidente, será divulgado um relatório intercalar em cada aniversário da ocorrência, com a atualização dos trabalhos e eventuais problemas de segurança identificados.

Leia mais »» Nota_Informativa_2026-ACCID-02

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