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Emirates: vai enviar engenheiros para fiscalizar produção da Boeing e que empresa tem última oportunidade para salvar reputação


 

Tim Clark, o presidente da Emirates, juntou-se a outros executivos de companhias aéreas que exigem da Boeing esforços para restaurar a sua reputação após uma série de problemas com segurança e produção.

Numa entrevista ao Financial Times publicada este domingo, Clark disse ter visto um “declínio progressivo” nos padrões da Boeing, que atribuiu a erros de gestão e governação de longa data, incluindo a priorização do lucro em detrimento da excelência em engenharia.

“Eles precisam fazer uma revisão dos seus processos de produção para que não haja atalhos, etc. Tenho certeza de que Dave Calhoun e Stan Deal estão nisso”, acrescentou, referindo-se ao CEO da Boeing e ao chefe de aviões comerciais, respetivamente. “Esta é a ultima dança da empresa.”

Tim Clark revelou que vai enviar alguns engenheiros do grupo para fiscalizar as linhas de produção da Boeing, uma vez que a Emirates é uma importante cliente.

A intervenção direta da Emirates é vista como um indicativo da deterioração da confiança na Boeing, uma medida que, segundo Clark, seria impensável em tempos anteriores.

De recordar que Aengus Kelly, CEO da AerCap, a maior empresa de leasing de aeronaves do mundo, também em declarações ao ‘Financial Times’, há cerca de um mês também apontou o dedo à Boeing, enfatizando a necessidade de uma mudança fundamental na estratégia da empresa. Segundo Kelly, é imperativo que a Boeing relegue as metas financeiras para segundo plano, concentrando-se exclusivamente na segurança e na qualidade dos seus aviões.

A Emirates, em novembro, realizou uma encomenda de 95 modelos Boeing 777 e 787, destinados a voos de longa distância, um pacote avaliado em 52 mil milhões de dólares.

O incidente com um Boeing 737 MAX 9, que sofreu uma falha crítica em pleno voo no mês passado, exacerbou o escrutínio sobre as práticas de fabrico e garantia de qualidade da Boeing. Este evento, atualmente sob investigação, somou-se aos desafios que afetam a reputação do fabricante.

Na mesma entrevista, Clark criticou ainda a gestão anterior da Boeing por erros estratégicos, como a terceirização de componentes e a transferência da produção do modelo B787 para a Carolina do Sul, na procura de redução de custos, o que culminou na perda de competências essenciais.

“Os processos de fabrico da empresa necessitam de uma revisão minuciosa,” afirmou Clark, insistindo que a gestão deve relegar para segundo plano as preocupações com o desempenho financeiro. “É necessário uma análise profunda sobre como e onde os aviões são produzidos… isso é sinal de boa gestão, boa governança e deve ser prioridade para todos no conselho de administração.