
De acordo com as notícias que estão a circular nos meios de comunicação italianos, a Emirates estará alegadamente perto de obter autorização para operar uma ligação ao abrigo da quinta liberdade do ar entre o Aeroporto de Milão-Malpensa (MXP) e o Aeroporto de Lima (LIM), o que poderá reforçar a presença da companhia aérea no mercado de longo curso a partir de Itália.
O plano poderá fazer parte de uma estratégia mais ampla para Milão, que poderá incluir destinos como Los Angeles, São Paulo, Santiago do Chile e Cidade do México, aumentando também a concorrência com a ITA Airways.
Segundo o Corriere della Sera, a Emirates estará perto de obter autorização do Governo italiano para os direitos de tráfego de quinta liberdade entre Milão e Lima. A aprovação poderá acontecer já em outubro, embora ainda não tenha sido tomada uma decisão final.
A Emirates afirmou que não tem, neste momento, planos imediatos para iniciar voos para Lima. A companhia explicou que continua a avaliar novas rotas tendo em conta a procura, as condições de mercado, a disponibilidade de aeronaves e outros fatores.
Um voo de quinta liberdade permite a uma companhia aérea transportar passageiros entre dois países estrangeiros como parte de uma operação que começa ou termina no seu país de origem.
A Emirates já utiliza este modelo na rota Dubai-Milão-Nova Iorque (JFK), permitindo aos passageiros reservar viagens entre:
Dubai e Milão;
Dubai e Nova Iorque;
Milão e Nova Iorque.
A companhia obteve autorização do Governo italiano para operar a ligação Milão-Nova Iorque em 2013, apesar da oposição legal de companhias aéreas e associações do setor.
Ao contrário de um acordo de Céus Abertos, a Emirates necessita de autorização governamental para cada operação de quinta liberdade que pretenda realizar a partir de Itália.
Vale referir que a Emirates tem procurado reforçar a sua presença na América do Sul, mas uma ligação direta entre Dubai e Lima apresenta desafios devido à enorme distância.
A distância em linha reta entre Dubai e Lima ronda as 8.000 milhas náuticas. O Boeing 777-200LR da Emirates tem capacidade técnica para realizar esta distância, mas com uma margem limitada, podendo as restrições de carga tornar uma operação sem escalas menos atrativa do ponto de vista financeiro.
Uma ligação Milão-Lima ao abrigo da quinta liberdade permitiria à Emirates aceder a este mercado através da Europa.
A companhia já opera outras rotas semelhantes de quinta liberdade, incluindo:
Rio de Janeiro-Buenos Aires;
Miami-Bogotá;
Barcelona-Cidade do México.
Segundo o Corriere della Sera, mais de 150 mil passageiros viajam anualmente entre Milão e Lima. Atualmente, não existe uma ligação direta entre as duas cidades, obrigando os passageiros a realizar uma escala noutro aeroporto.
A Emirates poderia assim captar uma parte deste tráfego e competir com companhias como Air France, Iberia e KLM, que já oferecem ligações diretas entre os seus hubs europeus e Lima.
A eventual ligação a Lima poderá ser apenas o primeiro passo. Fontes citadas pelo Corriere della Sera indicam que a Emirates estará também a analisar possíveis ligações de Milão para:
Los Angeles;
São Paulo;
Santiago do Chile;
Cidade do México.
Uma operação mais abrangente poderia transformar efetivamente a Emirates numa companhia com uma presença de longo curso baseada em Milão, em vez de utilizar o aeroporto apenas como ponto intermédio da sua rede.
Esta estratégia poderá aumentar a pressão sobre a ITA Airways, que é maioritariamente detida pelo Grupo Lufthansa e tem concentrado a sua rede de longo curso em Roma, utilizando Milão sobretudo como uma base para operações de curto e médio curso.
A Emirates poderia ainda disputar passageiros em ligação que atualmente utilizam outros grandes hubs europeus.
A estratégia para Milão poderá também ser analisada no contexto da longa disputa entre a Emirates e a Lufthansa relativamente ao acesso ao aeroporto de Berlim.
A Lufthansa tem-se oposto com sucesso a uma maior presença da Emirates em Berlim, apesar dos esforços do presidente da companhia dos Emirados, Sir Tim Clark, para obter maior acesso ao mercado alemão.
Um crescimento significativo em Milão permitiria à Emirates criar uma importante base europeia para o crescimento de longo curso sem depender de uma expansão do acesso ao mercado alemão.
A eventual ligação entre Milão e Lima poderá dar à Emirates uma posição mais forte no mercado sul-americano, ao mesmo tempo que acrescentaria uma nova operação de quinta liberdade à sua rede italiana.
Mais importante ainda, os planos reportados para outros destinos nas Américas sugerem que Lima poderá representar apenas o primeiro passo de uma expansão mais abrangente das operações de longo curso da Emirates a partir de Milão.
Se estes planos avançarem, Milão-Malpensa poderá assumir um papel cada vez mais importante na estratégia internacional da Emirates e aproximar-se do conceito de um “mini-hub” europeu da companhia, depois do seu principal centro de operações no Dubai.
























