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Comissão de inquérito quer ouvir chefias intermédias da SATA sobre “Cachalote”


 

A comissão de inquérito à SATA, criada pelo parlamento açoriano, quer ouvir as chefias intermédias da companhia aérea que tenham estado relacionadas com o processo de renovação da frota, no período entre 2013 e 2019.

De acordo com António Vasco Viveiros, deputado do PSD: “Não estamos a falar dos administradores da companhia, mas das figuras de ‘primeira linha’ que tiverem responsabilidades na escolha das aeronaves”.

Embora não tenha feito referência a nenhum aparelho em concreto, a intenção dos social-democratas é tentar perceber quem foram os responsáveis pela escolha do Airbus A330, mais conhecido por “cachalote”.

De referir que no plano inicial da companhia estava programado a operação de dois A330-200 e a saída da frota dos quatro Airbus A310.

O Dinheiro Vivo noticiava em julho de 2019, que o A330 custou oito milhões de euros à companhia aérea, a operar em 2018. Agora, parada, o valor cai para metade.

“O resultado de exploração do A330 em 2018 (com o avião a voar e dotado de tripulações suficientes) cifrou-se num resultado negativo de oito milhões de euros. O Airbus A330 parado, nas circunstâncias em que se encontra hoje, resulta em metade dos prejuízos anuais acumulados no ano anterior”, mostra uma nota enviada pelo conselho de administração aos trabalhadores da SATA no final de junho, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso.

Referindo-se a uma “polémica em torno da decisão de parar o A330”, a SATA, liderada por António Teixeira, acrescenta ainda que “o racional, em maior detalhe”, foi explicado a todos os colaboradores da empresa.

No relatório e contas de 2018, a administração já referia a “procura ativa de opções que permitam rentabilizar a referida aeronave”, depois de este avião ter feito disparar a rubrica de despesas de manutenção, que ascendeu a 14,8 milhões, em 2018. No mesmo documento, a empresa justificava ainda uma redução verificada em rubricas de gastos operacionais diretos como é o caso dos combustíveis, da assistência a aeronaves, das taxas aeroportuárias e reservas de manutenção (horas de voo) com “a utilização das novas aeronaves A321, em substituição dos menos eficientes A310 e A330”.

António Vasco Viveiros disse ainda que pretendem também ouvir um perito sobre os contratos de ‘leasing’ efetuados pela SATA no mesmo período e que requereu também que fossem enviadas à comissão de inquérito “todos os estudos” elaborados sobre a renovação da frota da companhia, bem como as atas das reuniões dos conselhos de administração e das assembleias gerais da SATA, e a correspondência trocada entre a transportadora e o governo regional, na altura liderado pelo socialista Vasco Cordeiro.