O ministro dos Transportes da República de Cabo Verde, João do Carmo, admitiu uma possível reestruturação da Cabo Verde Airlines, alegando que o Estado não consegue suportar os custos mensais.
“O Estado não aguenta essa responsabilidade mensal. Temos de pensar no país, no tesouro público, nos cabo-verdianos”, referiu o governante cabo-verdiano, nesta quinta-feira, dia 16 de julho, em declarações aos jornalistas, após encontros com a Unidade de Gestão de Projetos Especiais do Estado e representantes do Banco Mundial.
“A situação é muito crítica: estamos a falar de uma empresa que vive permanentemente numa situação financeira negativa. Vamos colocar sobre a mesa todos os cenários”, declarou.
De acordo com o governante, as hipóteses passam por “uma reestruturação profunda, como primeiro cenário, o segundo, de parcerias estratégicas ou entrada de investidores, o terceiro é a redefinição do modelo de negócio”.
Por último, surge, “no limite, o cenário de liquidação da empresa”.
“Seria irresponsabilidade nossa falar exclusivamente da liquidação da TACV, do nada, sem nenhum estudo, sem recorrer a alternativas. Contudo, seria mais irresponsabilidade nossa ainda manter os TACV como estão. O país não aguenta”, disse.
A situação deficitária da companhia tem motivado recomendações desde há vários anos, diversas entidades a sugerir que o Estado se concentre em acabar com as falhas crónicas nos voos domésticos, em que tem o monopólio, abandonando as ligações ao estrangeiro, em que enfrenta uma concorrência crescente de companhias de baixo custo.
“Os preços dos combustíveis mais elevados e a entrada e expansão de companhias aéreas de baixo custo nas rotas externas implicam maiores perdas para a TACV, pelo que o Governo deve reconsiderar a reafetação destes recursos para melhorar a conectividade interilhas”, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI), em maio deste ano.
Apesar da companhia evidenciar “uma performance operacional robusta”, uma “trajetória sustentada de recuperação” e “um significativo potencial de crescimento”, a rentabilidade foi afetada por “gastos operacionais totais de 1,9 mil milhões de escudos (17,2 milhões de euros), com destaque para os custos de leasing que atingiram 575 milhões de escudos (5,2 milhões de euros) e que continuam a representar um peso relevante”, lê-se no documento.
























