Últimas Notícias:
×

airBaltic inicia processo de Chapter 11 nos Estados Unidos para reestruturar a sua dívida


 

A companhia aérea letã airBaltic iniciou voluntariamente um processo de proteção ao abrigo do Chapter 11 da legislação de falências dos Estados Unidos, numa tentativa de reestruturar as suas obrigações financeiras e reforçar a sua posição financeira.

O pedido foi apresentado esta segunda-feira, 14 de setembro, junto do Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova Iorque. Apesar do processo de reestruturação, a companhia garante que as operações vão continuar normalmente, com os voos a serem realizados de acordo com o previsto.

Os bilhetes e reservas existentes permanecem válidos e os passageiros podem continuar a reservar viagens com a companhia. A airBaltic assegura igualmente que os serviços de apoio ao cliente continuarão a funcionar durante o processo supervisionado pelo tribunal.

Financiamento de 350 milhões de euros:

Para garantir liquidez durante o processo de reestruturação, a airBaltic anunciou ter conseguido um compromisso de 350 milhões de euros em financiamento debtor-in-possession (DIP), sujeito às necessárias aprovações judiciais.

O financiamento será disponibilizado por um grupo de instituições financeiras que inclui a Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management.

Este financiamento permitirá à companhia manter as suas operações enquanto negoceia com os credores e trabalha numa nova estrutura financeira.

Dívida de 583 milhões de euros:

A airBaltic enfrenta atualmente obrigações financeiras na ordem dos 583 milhões de euros, numa altura em que a indústria da aviação enfrenta uma nova vaga de pressão provocada pelo aumento dos custos operacionais e pela instabilidade geopolítica.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão contribuiu para uma forte subida dos preços do petróleo e do combustível para aviação, agravando a situação financeira da companhia. A airBaltic foi particularmente afetada porque não tinha uma cobertura significativa contra a subida dos preços do combustível.

A empresa tinha já procurado obter financiamento adicional antes de recorrer ao Chapter 11. Na semana passada, a Fitch Ratings tinha alertado que as opções da companhia eram “bastante limitadas” caso não conseguisse garantir financiamento de curto prazo.

Frota deverá ser reduzida:

A situação financeira levou também a airBaltic a rever os seus planos de expansão.

A companhia opera atualmente uma frota composta por 54 Airbus A220-300, mas prevê reduzir esse número para cerca de 36 aeronaves até ao final de 2026.

O plano anterior previa uma expansão significativa da frota, chegando a aproximadamente 100 Airbus A220-300. No entanto, a atual conjuntura económica e geopolítica tornou esse crescimento insustentável, obrigando a companhia a adaptar a sua estratégia.

A redução da capacidade deverá também ter impacto nas operações de wet lease, nas quais a airBaltic disponibiliza aeronaves e tripulações a outras companhias aéreas. O CEO Erno Hilden confirmou que estão a decorrer conversações com os sindicatos relativamente a possíveis reduções da força de trabalho associadas à diminuição da capacidade.

airBaltic continuará a operar durante a reestruturação:

Apesar da utilização do Chapter 11, a companhia pretende deixar claro que não se trata de uma suspensão das operações.

O processo permite à airBaltic continuar a voar enquanto procura reorganizar as suas finanças e negociar com os seus credores. Para os passageiros, a companhia garante que os voos, reservas e bilhetes continuam válidos.

A administração estabeleceu como objetivo concluir o processo de reestruturação até junho de 2027, procurando chegar a uma estrutura financeira mais sustentável e com um nível significativamente inferior de obrigações.

Governo mantém participação maioritária:

A airBaltic é a companhia aérea de bandeira da Letónia e uma das principais transportadoras da região do Báltico.

O Estado detém 88,37% da companhia, enquanto a Lufthansa possui cerca de 10% do capital. Em 2025, a airBaltic transportou aproximadamente 5,2 milhões de passageiros, gerou receitas de 779,3 milhões de euros e registou um prejuízo líquido de 44,3 milhões de euros.

A situação financeira da companhia tem levado também o Governo da Letónia a procurar soluções para garantir a sua viabilidade a longo prazo, incluindo a possibilidade de atrair um novo investidor estratégico.

Uma nova fase para a companhia letã:

A entrada no Chapter 11 representa um dos momentos mais difíceis da história recente da airBaltic, mas a administração considera o processo uma ferramenta para evitar uma situação mais grave e permitir uma reestruturação ordenada.

O objetivo passa por reduzir a dívida, diminuir os custos, ajustar a dimensão da frota e da operação e criar uma estrutura financeira capaz de suportar a companhia a longo prazo.

O CEO Erno Hilden, que possui experiência anterior em processos de reestruturação no setor da aviação, incluindo na SAS, pretende conduzir a airBaltic durante este período de transformação.

Para os passageiros, a principal mensagem da companhia é clara: os aviões continuam a voar, as reservas permanecem válidas e as vendas de bilhetes continuam normalmente.

O processo de Chapter 11 deverá, assim, ser acompanhado de perto nos próximos meses, enquanto a airBaltic procura concluir uma profunda reestruturação financeira sem interromper a sua operação.

Seleccione um ponto de entrega